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Mensagens

Obra Prima do Criador

 No vasto céu, em cores se revela, O toque divinal, puro esplendor, Em cada flor, em cada singela estrela, Resplandece a mão do Criador. O mar, em ondas suaves a bailar, Canta os louvores de Sua perfeição, Enquanto os montes, firmes a se erguer, Guardam o eco de Sua criação. Mas não na terra, no céu, nem no oceano, Encontra-se o ápice de tal primor, Pois fez o homem com desígnio insano, Dotando-o de alma e de imenso amor. E assim, ao molde de sua imagem bela, Deu-lhe a graça eterna que o revela.
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Calvário

 Em passos firmes, cruzam os desertos, Das dores vastas fazem pontes fortes, Transformam prantos em caminhos certos, Guiando almas rumo a novos portes. O amor renasce em cada gesto puro, No abraço dado, esperança invade, No sofrimento, enxergam o futuro, E plantam vida onde há tempestade. Calvário, nome de missão sublime, Leva ao aflito alento e protecção, E no amparo, sua luz se exprime. É voz que rompe a densa escuridão, E ergue o mundo, mesmo que se oprime, Com fé que pulsa em cada coração

Covinhas

 Nas curvas doces que a face delineia, Um par de covas surge ao seu sorrir, Do encanto leve que o amor semeia, Faz-se o reflexo puro do existir. São como lagos onde a luz repousa, Espelhos de alegria e de ternura, No riso, a alma inteira se desposa, E em suas formas mora a paz mais pura. Quem vê tal graça sente o peito arder, Pois cada cova traz um universo, De mistérios que o tempo quer deter. E eu, que a olho, preso em verso imerso, Encontro nas covinhas o viver, Meu sonho doce em um sorriso inverso.

O Homem que Deus Criou e Deu a Morte

 Do pó da terra ergueu-se a criação, Nas mãos divinas, o sopro da verdade. Viveu o homem, fruto da vontade, Espelho vivo da eterna perfeição. Porém, ao livre arbítrio foi chamado, A senda clara, escura se tornou. E no Jardim, o fruto o condenou, O doce amor por erro profanado. Deu-lhe Deus o destino inevitável: A morte, sombra que a vida envolve e cala, Um fim que aos olhos parece implacável. Mas há na dor um canto que não fala: Pois da mortalidade faz-se o impensável, E o pó renasce, onde a graça se instala.

Amor Ilusório

Em teus olhares vi promessas vãs, Sorrisos doces, gestos tão sutis, Que em meu peito forjaram os afãs De um sonho incerto, mas tão feliz. Teus passos junto aos meus foram canção, Que o tempo orquestrou com disfarçada dor. Tateei, cego, na ilusão da mão, Que nunca se estendeu ao meu amor. De ti, apenas sombras me restaram, Fragmentos que o silêncio sepultou, Enquanto as dúvidas me devoraram. Agora sei que o amor que se inventou, Foi chama breve que os ventos apagaram, E em seu vazio, só meu pranto ficou.

Deleites

 Nos doces campos do sentir profundo, Deslizam leves os prazeres da alma, Sorrisos brandos, paz que nos acalma, Tesouros raros neste vasto mundo. No vinho suave ou no amor fecundo, Nas cores do poente em luz que se espalma, Nos gestos simples, onde o bem se empalma, São deleites que tornam o viver fecundo. É o toque sutil de uma melodia, A dança da vida em breve emoção, Ou o calor de um afago que irradia. Na essência do tempo, em plena estação, Os deleites são flores que a alma cria, Semeando no peito eterna paixão.

Brasas

 No silêncio que o fogo deixa ao partir, Repousam as brasas em leve fulgor, Sussurrando histórias de calor e dor, Do que foi chama e não pôde existir. São corações que insistem em resistir, Guardando na cinza o antigo ardor, Centelhas perdidas, mas com vigor, Prontas a renascer, a vida expandir. Nas brasas, o tempo se torna prisão, Um lapso entre o ontem e o amanhã, Um eco do fogo em sua combustão. E mesmo ao toque que a alma profana, Elas guardam, em brando rubro clarão, O poder de acender a luz humana.